Reunião do Comitê de Investimentos do Instituto de Previdência Municipal de Ubatuba – IPMU, realizada aos sete dias do mês de abril de dois mil e vinte e cinco, às quinze horas, na sala de reuniões da sede do IPMU, onde compareceram os membros: Fernando Augusto Matsumoto, Flavio Bellard Gomes, Lucas Gustavo Ferreira Castanho, Marcelo da Cruz Lima e Sirleide da Silva. Participaram também Luiz Alexandre de Oliveira (Controlador Interno) e Wellington Diniz (Gestor de Investimentos). Dando início a pauta, a Diretoria apresentou os dados atualizados da carteira de investimentos do Instituto, destacando a rentabilidade consolidada dos fundos no primeiro trimestre de 2025, comparativos com benchmarks de mercado. Foi apresentada pela equipe técnica uma análise detalhada dos fundos com ativos no exterior, com base no desempenho consolidado em 2024 e no cenário adverso observado em 2025. Os seguintes pontos foram destacados: Valorização acumulada em 2024: Os fundos com exposição cambial apresentaram ganhos expressivos em razão da valorização do dólar frente ao real, impulsionada por fatores externos como os cortes de juros nos EUA e a desaceleração da economia chinesa. Desempenho em 2025: Observou-se queda relevante na cotação desses fundos no primeiro trimestre de 2025, refletindo a valorização do real, redução do diferencial de juros e reprecificação de ativos de risco globais, em meio à retomada de crescimento nos EUA e expectativa de nova alta nas taxas do Federal Reserve. Ato contínuo, os membros do Comitê de Investimentos passaram à análise do Relatório Técnico e Financeiro que tem como objetivo apresentar a exposição atual do IPMU a fundos com ativos no exterior e simular os impactos cambiais potenciais sobre o patrimônio líquido da carteira, com base em três cenários de variação do dólar americano frente ao real. Analisar a performance de fundos com exposição internacional atualmente na carteira do IPMU, que obtiveram rentabilidades expressivas em 2024, e avaliar a possibilidade de realização de ganhos mediante resgates imediatos, com reinvestimento simultâneo em ativos de renda fixa, especialmente títulos públicos federais indexados ao IPCA (fundos de vértice), conforme processos IPMU/059/2025. Justificativa da Análise. Conforme deliberação do Comitê de Investimentos em 25/03/2025, observou-se aumento na volatilidade cambial e instabilidade nos mercados globais, influenciados pela tendência de valorização do dólar. Tal conjuntura pode comprometer parte dos ganhos obtidos em 2024, motivo pelo qual se recomenda avaliação técnica sobre o desinvestimento parcial ou total dos fundos analisados. Fundos de investimentos no exterior em 31/03/2025: 1-) BB ESG GLOBAIS FIC FI AÇÕES – BDR NÍVEL I – CNPJ: 22.632.237/0001-28. 2-) CAIXA MULTIMERCADO MULTIGESTOR GLOBAL EQUITIES INVESTIMENTO NO EXTERIOR – CNPJ: 39.528.038/0001-77. 3-) CAIXA INSTITUCIONAL BDR NÍVEL I – CNPJ 17.502.937/0001-6. Para subsidiar uma análise robusta e uma tomada de decisão informada pelo Comitê de Investimentos do IPMU em relação aos fundos de investimentos no exterior, foi elaborado um conjunto de documentos que forneceu informações detalhadas e relevantes. Este conjunto de documentos permitiu uma avaliação abrangente do desempenho, dos riscos e das perspectivas desses investimentos, assegurando que a decisão esteja alinhada com os objetivos e a política de investimentos do Instituto. Relatório de Fundos de Investimentos no Exterior (Descrição detalhada da carteira de investimentos em fundos no exterior, Análise do desempenho dos fundos, incluindo rentabilidade, volatilidade e comparação com os benchmarks, Informações sobre a composição da carteira de cada fundo, com a alocação por classe de ativos, setor e região geográfica, Avaliação dos riscos associados aos fundos, como risco de mercado, risco de crédito e risco cambial, Histórico de rentabilidade dos fundos). Lâminas e Prospectos dos Fundos (Informações completas sobre as características de cada fundo, incluindo política de investimento, taxas de administração, gestor, histórico de rentabilidade e riscos). Política de Investimentos do IPMU (Diretrizes que norteiam as decisões de investimento do Instituto, incluindo objetivos, restrições, alocação estratégica e limites de exposição por classe de ativos), Relatório de Desempenho da Carteira Consolidada (Análise do desempenho da carteira total de investimentos do IPMU, incluindo a participação dos fundos de investimentos no exterior no resultado global). Análise do Cenário Macroeconômico (Avaliação das perspectivas para a economia global e brasileira, incluindo projeções para o crescimento do PIB, inflação, taxa de juros e câmbio, Análise do impacto do cenário macroeconômico nos mercados financeiros e nos ativos de renda fixa e variável). Simulação de Impacto Cambial (Análise do impacto das variações cambiais na rentabilidade dos investimentos no exterior, considerando diferentes cenários para o dólar e outras moedas relevantes). Avaliação da Meta Atuarial (Análise da capacidade da carteira de investimentos do IPMU de atingir a meta atuarial (INPC + 5,17%), considerando a alocação atual e as alternativas de investimento). Parecer do Gestor de Recursos de do Controlador Interno (Opinião sobre a adequação dos investimentos no exterior ao perfil do IPMU e ao cenário de mercado). Cenário Macroeconômico. A economia global em 2025 enfrenta desafios significativos, incluindo tensões geopolíticas, flutuações nos preços das commodities e políticas monetárias restritivas em economias desenvolvidas. Esses fatores têm impactado os mercados emergentes, como o Brasil, resultando em volatilidade cambial e pressões inflacionárias. O Brasil tem enfrentado instabilidade econômica devido a preocupações fiscais e políticas. A confiança dos investidores foi abalada, levando a uma desvalorização do real e aumento nos custos de empréstimos do governo. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca aprovação para cortes significativos de gastos visando conter o déficit orçamentário. Economistas alertam que, sem ação fiscal substancial, a dívida pública pode atingir níveis insustentáveis, afetando inflação, taxas de juros e crescimento econômico. O Banco Central do Brasil tem adotado uma postura agressiva para conter a inflação. Em janeiro de 2025, a taxa Selic foi elevada em 100 pontos-base, alcançando 13,25%, com indicação de novos aumentos nas reuniões subsequentes. Projeções do Boletim Focus indicam que a taxa Selic pode atingir 15% até o final de 2025. As projeções para 2025 incluem: Inflação (IPCA): 4,99%, acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central. Câmbio: Expectativa de que o dólar alcance R$ 6,00 até o final do ano. PIB: Crescimento modesto de 2,02%. Mercado Financeiro. O mercado brasileiro apresentou um desempenho relativamente forte, com a bolsa (Ibovespa) registrando ganhos expressivos e o dólar se desvalorizando. A taxa CDI permaneceu em patamares elevados devido à Selic. Os títulos de renda fixa indexados à inflação (IMA-B) também tiveram um bom desempenho, especialmente os de prazos mais longos. Em contraste, o mercado americano (S&P 500) mostrou um ritmo de crescimento mais moderado. Durante o primeiro trimestre de 2025, os mercados acionários americanos enfrentaram volatilidade significativa, influenciada por tensões comerciais e políticas tarifárias. Embora os índices tenham registrado ganhos em determinados dias, o período foi marcado por correções e incertezas. Os principais índices da bolsa americana apresentaram um desempenho negativo no primeiro trimestre de 2025. As preocupações com as políticas comerciais, a inflação persistente e uma reavaliação das perspectivas de crescimento econômico foram fatores que influenciaram negativamente o mercado americano no período. Em contraste com o mercado brasileiro, que teve um primeiro trimestre positivo, o mercado americano enfrentou um período de ajuste. Esses movimentos foram influenciados por anúncios de tarifas adicionais e retaliações comerciais, que aumentaram a volatilidade e afetaram o desempenho dos índices no trimestre. Principais Desafios para o Real: A principal preocupação do mercado continua sendo a trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de apresentar um arcabouço fiscal crível e de cumprir suas metas. Qualquer sinal de deterioração das contas públicas pode aumentar o risco-país e pressionar o dólar para cima. Embora a Selic esteja em patamar elevado, o mercado estará atento aos próximos passos do Banco Central. A expectativa é de que, com a desaceleração da inflação, possa haver início de cortes na taxa de juros no segundo semestre de 2025. A magnitude e o ritmo desses cortes podem influenciar a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. A estabilidade política e a aprovação de reformas estruturais são cruciais para a confiança dos investidores. Ruídos políticos e incertezas podem gerar volatilidade e impactar negativamente o real. Fatores externos como o crescimento econômico global, a política monetária dos Estados Unidos (principalmente as decisões do Federal Reserve), a inflação global, os preços das commodities e as tensões geopolíticas podem ter um impacto significativo no fluxo de capitais e, consequentemente, na taxa de câmbio. Alta do Dólar (real mais fraco): Aumento da aversão ao risco global, Deterioração do cenário fiscal brasileiro, Rebaixamento da nota de crédito do Brasil, Juros elevados e dólar forte nos EUA. Baixa do Dólar (real mais forte): Aprovação de reformas fiscais relevantes, Aumento do fluxo de investimentos estrangeiros, Corte de juros pelo Fed. Exportações fortes e superávit comercial no Brasil. Após a desvalorização do dólar no primeiro trimestre, a perspectiva para o restante de 2025 é de incerteza e potencial volatilidade. Analistas apontam para uma possível estabilização ou até mesmo uma leve alta do dólar nos próximos meses, dependendo da evolução dos fatores mencionados acima, especialmente a questão fiscal e os sinais da política monetária. Alguns cenários apontam para um dólar oscilando entre R$ 5,70 e R$ 6,20 ao longo do ano, com viés de alta caso as preocupações fiscais se intensifiquem. A capacidade do governo de demonstrar compromisso com a disciplina fiscal será determinante para o desempenho da moeda brasileira. Em resumo, a perspectiva para o dólar em 2025 é cautelosa. Embora o primeiro trimestre tenha sido favorável ao real, os desafios fiscais e a dinâmica do cenário global exigem monitoramento constante. A volatilidade cambial deve persistir, e o desempenho do dólar dependerá da interação de diversos fatores econômicos e políticos, tanto internos quanto externos. É importante ressaltar que estas são apenas perspectivas baseadas nas informações disponíveis até o momento e estão sujeitas a mudanças. Acompanhar os indicadores econômicos, as notícias, as análises de mercado são fundamentais para entender a dinâmica do câmbio ao longo de 2025. A exposição atual a ativos internacionais está abaixo do limite regulatório permitido para Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e cumpre papel estratégico de diversificação e proteção da carteira em cenários adversos locais. Fundos de Investimentos no Exterior. Os fundos que investem em BDRs e ativos internacionais estão diretamente expostos à volatilidade do mercado global e às oscilações cambiais, especialmente do dólar. Em períodos de valorização do real frente ao dólar, os retornos desses fundos podem ser negativamente impactados, enquanto a desvalorização do real tende a beneficiá-los. Para 2025, espera-se que a volatilidade continue presente devido a fatores macroeconômicos globais, políticas monetárias das principais economias e eventos geopolíticos. Investidores devem estar preparados para possíveis oscilações nos retornos desses fundos. Os fundos analisados superaram amplamente os benchmarks de renda fixa em 2024, mas apresentam reversões relevantes em 2025. O risco de permanência supera o potencial de ganho adicional. Em períodos de valorização do real frente ao dólar, os retornos desses fundos podem ser negativamente impactados, enquanto a desvalorização do real tende a beneficiá-los. Para 2025, espera-se que a volatilidade continue presente devido a fatores macroeconômicos globais, políticas monetárias das principais economias e eventos geopolíticos. Investidores devem estar preparados para possíveis oscilações nos retornos desses fundos. A decisão de resgatar aplicações em fundos de investimento no exterior (BDR Nível 1 e fundos de ações globais) e realocar para fundos referenciados DI (renda fixa) depende de uma análise cuidadosa de diversos fatores. Desempenho dos Fundos de Investimento: 1-) Fundos BDR Nível 1 e Ações Globais: O desempenho desses fundos em 2025 até março pode ter sido impactado pela desvalorização do dólar, mesmo que as ações subjacentes tenham apresentado ganhos em suas moedas de origem. A volatilidade dos mercados globais também influencia esses ativos. 2-) Fundos Referenciados DI: Tendem a acompanhar de perto a rentabilidade do CDI, oferecendo retornos mais previsíveis e com menor volatilidade em comparação com a renda variável e investimentos no exterior. Diante do cenário macroeconômico desafiador e da necessidade de buscar a meta atuarial, considerar um aumento na alocação de recursos em ativos de renda fixa de baixo risco. A alocação específica em cada classe de ativo deve ser definida com base no perfil de risco do IPMU, em seus objetivos de longo prazo e nas perspectivas para a economia. Monitoramento periodicamente do cenário macroeconômico e realizar ajustes na carteira, sempre que necessário, para garantir o cumprimento da meta atuarial e a preservação do patrimônio do Instituto. Conclusão: 1-) Proteção dos Ganhos Acumulados: O resgate parcial visa proteger uma parte dos ganhos significativos obtidos em 2024, evitando uma maior erosão desses resultados pela desvalorização em 2025 e pela incerteza cambial futura. 2-) Mitigação da Exposição Cambial: A perspectiva para o dólar em 2025 não garante uma valorização que compense a volatilidade e o risco de novas desvalorizações do real. Reduzir a exposição cambial neste momento é uma medida prudente. 3-) Realização de Lucros: A valorização expressiva em 2024 representa uma oportunidade para realizar lucros e reinvestir em ativos de menor risco com retornos nominais atrativos. 4-) Alinhamento com o Cenário Atual: O cenário de Selic elevada favorece a alocação em renda fixa para preservação de capital e obtenção de retornos consistentes com menor volatilidade. 5-) Renda Fixa: Considerando o cenário de volatilidade e a necessidade de buscar a meta atuarial, o aumento na a alocação em ativos de renda fixa de baixo risco, como fundos DI e títulos públicos, especialmente o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+, tende a diminuir a volatilidade dos investimentos. Os fundos de vértice também podem ser considerados como uma opção para diversificar a carteira de renda fixa e buscar um retorno um pouco maior. 6-) Meta Atuarial: A alocação específica em cada tipo de ativo deve ser definida com base no perfil de risco do IPMU, em seus objetivos de longo prazo e nas perspectivas para a economia. É importante monitorar constantemente o cenário macroeconômico e ajustar a carteira de acordo com as mudanças nas condições de mercado. Deliberações do Comitê de Investimentos: 1-) Acompanhamento do câmbio e dos mercados globais para possível reentrada em fundos de ações internacionais no segundo semestre. 2-) Avaliar o nível de exposição cambial atual da carteira e se ele está alinhado com a política de investimentos do Instituto. Considerar o impacto da volatilidade dos investimentos no exterior na carteira. 3-) Discutir as perspectivas para o dólar e para os mercados globais para o restante de 2025. 4-) Fundos de Vértice: analisar a inclusão de fundos de vértice na carteira de investimentos, como forma de buscar um retorno adicional com risco controlado. 5-) Fundos DI: Alocar uma parcela dos recursos em fundos DI, aproveitando a rentabilidade atrativa da Selic e a baixa volatilidade desses fundos. 6-) Manutenção de parte da exposição internacional, com foco na diversificação e proteção estratégica de longo prazo.7-) Planejamento do Resgate: Definir o percentual a ser resgatado de cada fundo, considerando os custos de transação e o impacto na estratégia de diversificação a longo prazo. 8.-) Ponderar os benefícios da diversificação internacional a longo prazo. Realocação Estratégica: Alocar os recursos resgatados em fundos referenciados DI com taxas competitivas e histórico de bom acompanhamento do CDI. Realocação gradual desses recursos em fundos referenciados DI ou renda fixa pós-fixada, aproveitando o patamar atrativo da Selic e a menor volatilidade no curto prazo. 9-) Resgate parcial dos fundos de investimento no exterior: analisar a possibilidade de resgate parcial ou total com realização de ganhos líquidos acumulados em 2024. Embora a diversificação internacional seja importante a longo prazo, o cenário específico de 2025, marcado pela desvalorização dos investimentos no exterior e pela incerteza cambial, justifica uma medida de proteção dos ganhos passados e uma realocação para ativos de menor risco e maior previsibilidade de retorno no curto prazo. A decisão de realizar o resgate permitirá agregar parte dos ganhos de 2024 e reduzir a exposição à volatilidade dos mercados e, em especial, do dólar em 2025. Para finalizar a reunião os membros do Comitê de Investimentos são informados da data da reunião ordinária: 14/04/2025 – 15h.
Reunião Comitê de Investimentos: 07/04/2025
- Autor do post:Sirleide Silva
- Post publicado:30 de abril de 2025
- Categoria do post:Boas Práticas / Notícias
