Membros do Comitê de Investimentos do Instituto de Previdência Municipal de Ubatuba – IPMU, participaram do CEO CONFERENCE BRASIL 2025, realizado pelo BTG Pactual.
Nos dias 25 e 26 de fevereiro, aconteceu a CEO Conference 2025, evento organizado pelo BTG Pactual. A conferência trouxe análises sobre o cenário macroeconômico deste ano, destacando os desafios e oportunidades que devem surgir nos investimentos. No âmbito internacional, o que mais se destacou foram as tarifas comerciais impostas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e os seus impactos inflacionários. Já sobre o Brasil, a pauta girou em torno da credibilidade da política fiscal, que se faz necessária para que o país possa reaconrar a meta da inflação e, assim, permitir a redução da taxa de juros, atualmente em 13,25% ao ano. Entender o cenário macroeconômico é essencial para o investidor, pois ele influencia diretamente o desempenho dos ativos e a rentabilidade dos investimentos.
Principais assuntos da pauta macroeconômica que devem estar no radar do investidor neste ano, conforme apontado por grandes nomes do mercado durante a CEO Conference.
O que está chamando a atenção do mercado no âmbito internacional? Em um painel mediado por Stefanie Birman, sócia e estrategista do BTG Pactual, e Mansueto Almeida, economista-chefe do banco, ao lado dos sócios Eduardo Loyo e Tiago Berriel, foi analisado o cenário global, com foco na economia dos Estados Unidos, destacando desafios e tendências nos investimentos. Assim, como principal ponto de atenção, os convidados destacaram a incerteza em torno das decisões de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, especialmente nas áreas de imigração e tarifas comerciais, que tem preocupado o mercado. Enquanto há apoio popular para medidas imigratórias mais rígidas, a imposição de tarifas, sobretudo na China, enfrenta maior resistência. E, de acordo com os especialistas que participaram da CEO Conference, a adoção dessas barreiras pode pressionar a inflação. E, embora as evidências econômicas surgiram sobre os benefícios do livre comércio, Trump parece convencido de que as tarifas podem ser úteis. Assim, a extensão do impacto inflacionário dependerá da magnitude das tarifas implementadas. Além disso, foi destacado também o elevado déficit e crescente endividamento público dos EUA. Mesmo com os esforços para conter gastos, a trajetória da dívida não deve mudar significativamente, segundo os participantes. Assim, enquanto outros países iniciam cortes de juros, os EUA devem manter juros elevados devido à expansão fiscal e ao impacto potencial das tarifas comerciais. Dessa forma, os analistas destacam que o cenário político e econômico dos Estados Unidos segue volátil, o que pode afetar o crescimento mundial, uma vez que o país funciona como uma “bússola” para a economia do resto do mundo.
E o que esperar da economia do Brasil neste ano? Já no que diz respeito ao Brasil, dados recentes indicam uma possível perda de fôlego da economia. No entanto, o primeiro trimestre pode registrar crescimento impulsionado pelo agronegócio, conforme pontuam os especialistas. Ainda assim, os juros elevados tendem a intensificar a desaceleração. O painel também discutiu se os atuais níveis de juros, em 13,25% ao ano, são suficientes para conter a alta dos preços e qual deve ser a abordagem do Banco Central. O papel do BC e sua credibilidade são essenciais para o controle da inflação. Mas há desafios impostos por políticas fiscais e de crédito que acabam contrariando os objetivos da autoridade monetária. Nesse sentido, a inflação brasileira segue elevada devido à inércia e expectativas desancoradas. O debate também abordou o risco de “dominância fiscal”, fenômeno no qual os juros elevados agravam a trajetória da dívida pública, aumentando a inflação. E, apesar de a situação brasileira ainda não ser considerada como um caso extremo, os especialistas alertam que fragilidades fiscais podem reduzir a eficácia da política monetária. Assim, com um cenário desafiador tanto no Brasil quanto no exterior, 2025 se desenha como um ano de incertezas e decisões estratégicas cruciais para governos, investidores e o mercado como um todo.
Participantes:
- Fernando Augusto Matsumoto (Diretor Financeiro e Comitê de Investimentos)
- Flávio Bellard Gomes (Conselho Deliberativo e Comitê de Investimentos)
- Luiz Alexandre de Oliveira (Agente Administrativo)
- Lucas Gustavo Ferreira Castanho (Conselho Deliberativo e Comitê de Investimentos)
- Marcelo Lima (Conselho Deliberativo e Comitê de Investimentos)
- Sirleide da Silva (Presidente do IPMU e Comitê de Investimentos)
- Wellington Diniz (Contador e Gestor de Recursos)
